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Biblioteca do gestor de manutenção: livros e normas que sustentam a gestão
Uma biblioteca comentada de livros, artigos e normas de manutenção, em ordem de utilidade para operação pequena de hospitalidade e com o grau de verificação de cada obra.
O problema na sua operação
A literatura de gestão de manutenção que consultamos foi escrita sobretudo para indústria e aviação. Quem cuida de um restaurante, de um bar ou de uma pousada encontra livros caros, densos e cheios de estatística, e dificilmente sabe por onde entrar.
Esta biblioteca organiza as obras consultadas por tema e pela utilidade para uma operação pequena. Sobre o grau de leitura: nenhuma obra de gestão de manutenção foi lida na íntegra para este artigo; a RDC 216 (anexo) e a Lei 13.589 foram lidas em texto. O que se descreve das demais vem de registros de catálogo, resumos de editora e abstracts, e isso está indicado em cada caso. Onde só houve catálogo, o texto fala da proposta da obra, não de capítulos.
Uma ordem de leitura possível: comece por Kelly, que ajuda a decidir o que a casa não pode perder; siga para o planejamento de Palmer e para a visão de hotelaria de Stipanuk; deixe os livros industriais e as normas ISO para depois, se a operação crescer.
Fundamentos e estratégia
Maintenance Strategy, de Anthony Kelly (1997), é a que mais se transfere para operação pequena, a nosso juízo. Pela descrição da editora, defende derivar a estratégia de manutenção dos objetivos do negócio; como adaptação nossa, isso significa partir do que a casa não pode perder.
Strategic dimensions of maintenance management, de Albert Tsang (2002), é um artigo que organiza a gestão em quatro dimensões: prestação do serviço (equipe própria ou terceirizada), organização do trabalho, metodologia e sistemas de apoio. Ajuda a decidir o que fazer internamente e o que contratar. Só o resumo foi consultado.
Manutenção: Função Estratégica, de Alan Kardec e Júlio Nascif (Qualitymark, 5ª edição de 2019 confirmada em bibliografia), é a referência brasileira mais citada para a evolução da manutenção em gerações, do reparo após a falha ao foco em disponibilidade. O sumário não foi visto, e a obra é pensada para indústria de médio e grande porte.
Reliability-Centered Maintenance, de Stanley Nowlan e Howard Heap (1978), e RCM II, de John Moubray (2ª edição, 1997), formam a base da manutenção centrada em confiabilidade, cuja ideia central é que a consequência da falha decide a tarefa. Consultados por descrições e catálogos; são técnicos e exigem adaptação enxuta.
Planejamento, rotina da equipe e indicadores
Maintenance Planning and Scheduling Handbook, de Richard Palmer (1ª edição de 1999; 4ª edição de 2019), defende separar o trabalho de planejar do de executar: preparar cada ordem de serviço com peças, ferramentas e tempo antes de agendar. O raciocínio vale para qualquer escala, mesmo sem planejador dedicado. Consulta parcial, por descrição da editora.
PCM: Planejamento e Controle da Manutenção, de Herbert Viana (Qualitymark, 2002), é o manual brasileiro mais associado ao tema. O sumário não foi visto, e por isso não se atribuem capítulos ao livro.
Introduction to TPM, de Seiichi Nakajima (1988), apresenta a manutenção produtiva total, cuja marca é a manutenção autônoma: o operador cuida do básico do seu equipamento, o que combina com equipes pequenas, desde que simples. Xenos (2004) e Gulati (2009) aparecem na bibliografia do tema, só por catálogo ou descrição de editora; o conteúdo não foi verificado e não se atribui a eles método algum.
Sobre indicadores, Muchiri e colegas (2011) propõem que os indicadores derivem dos objetivos do negócio; Terry Wireman, em Developing Performance Indicators for Managing Maintenance (1ª edição de 1998, 2ª de 2005, 3ª de 2013), dedica o livro à escolha e ao uso de indicadores. A recomendação de acompanhar poucos números é nossa. Consultas parciais.
Ativos, sistemas e gestão do ciclo de vida
Computerized Maintenance Management Systems, de Wireman (1994), trata de sistemas computadorizados de gestão de manutenção. Os dados bibliográficos foram confirmados em catálogo; o conteúdo não foi verificado.
A ISO 55001 (requisitos de gestão de ativos) e a ISO 41001:2018 (sistema de gestão de facility management) são normas certificáveis; a ISO 55000 traz visão geral e vocabulário, e a ISO 55002 é guia de aplicação. Todas são pagas e de formato pesado para casa pequena, e servem como inspiração conceitual sobre risco, ciclo de vida, responsáveis e revisão. A série foi lançada em 2014, com edições de 2024 para a 55000 e a 55001. Consultadas só por resumos e catálogos, sem leitura de cláusulas.
Physical Asset Management, de Nicholas Hastings (3ª edição, 2021), e Asset Management Excellence, organizado por Campbell, Jardine e McGlynn (2ª edição, 2011), cobrem a gestão de ativos físicos e as decisões de ciclo de vida, de forma extensa e industrial; conhecidos por páginas de editora e catálogos.
Normas brasileiras
Em ordem de utilidade para o dono de uma cozinha profissional, a RDC 216/2004 da Anvisa vem primeiro. É a norma federal de boas práticas para serviços de alimentação, e seu item sobre edificação, instalações e equipamentos liga a conservação física do local à segurança do alimento. O anexo foi lido em cópia; alterações posteriores não foram verificadas. Em São Paulo, a Portaria CVS 5/2013 detalha a RDC; confirme com a vigilância sanitária do município e no Diário Oficial qual regulamento paulista está em vigor.
Para ar-condicionado, a Lei 13.589/2018 determina, em tese, que edifícios de uso público e coletivo com ambientes climatizados tenham um plano de manutenção, operação e controle (PMOC). Detalhes como capacidade e responsável técnico vêm de uma portaria do Ministério da Saúde de 1998, e a aplicação a cada caso deve ser confirmada com profissional habilitado.
A NBR 5674, da ABNT, segundo descrições secundárias, descreve a manutenção de edificações como sistema de gestão, com plano, periodicidade e registro, e serve de ponto de partida para um imóvel comercial; é norma paga, e o conteúdo da edição de 2024 não foi verificado. A NBR 5462 e a europeia EN 13306 são vocabulários de manutenção; servem para conferir termos, não para organizar a rotina da casa. Exigências trabalhistas e técnicas específicas devem ser tratadas com engenheiro ou advogado.
Hotelaria e food service
Aqui a literatura é escassa, e esta é a parte mais frágil da biblioteca. Hospitality Facilities Management and Design, de David Stipanuk (4ª edição, 2015), olha o hotel como conjunto de sistemas e de espaços; é americano e pensado para hotéis maiores, conhecido por comunicado de lançamento. Design and Equipment for Restaurants and Foodservice, de Thomas, Norman e Katsigris (4ª edição, 2014), trata da escolha e compra de equipamentos, útil para pensar o ciclo de vida desde a compra, com pouco sobre manutenção em si.
Um trabalho de conclusão de curso, de Cauê Canalles (IFSC, 2023), compara ordens de serviço de apartamentos de hotéis resort antes e depois de reforma, e o resumo no repositório relata que a gestão eficaz reduziu pedidos, sobretudo elétricos e de pintura. É texto de graduação, não revisado por pares, e o conteúdo completo não foi lido. Um livro de manutenção predial de Brian Wood (2009) foi localizado em catálogos, mas seu conteúdo não foi verificado, e por isso não é recomendado aqui.
Onde o Manutex entra
Muito do que estes livros pressupõe passa por registro: equipamentos cadastrados, chamados com dono e prazo, preventivas agendadas, histórico e custo por equipamento. O Manutex reúne esses elementos, com fornecedores, num mesmo lugar, e permite importar a exportação de um grupo de WhatsApp: a IA propõe os chamados e você decide cada proposta. A leitura continua sendo sua; a ferramenta cuida do registro.
Fontes consultadas
KELLY, Anthony. Maintenance Strategy. Butterworth-Heinemann, 1997 (consulta parcial). TSANG, Albert H. C. Strategic dimensions of maintenance management. Journal of Quality in Maintenance Engineering, v. 8, n. 1, 2002 (consulta parcial: resumo).
PINTO, Alan Kardec; XAVIER, Júlio Nascif. Manutenção: Função Estratégica. Qualitymark (consulta parcial). NOWLAN, F. Stanley; HEAP, Howard F. Reliability-Centered Maintenance. United Airlines, 1978 (consulta parcial). MOUBRAY, John. Reliability-centred Maintenance (RCM II). 2ª ed., 1997 (consulta parcial).
PALMER, Richard D. Maintenance Planning and Scheduling Handbook (consulta parcial). VIANA, Herbert R. G. PCM: Planejamento e Controle da Manutenção. Qualitymark, 2002 (consulta parcial). NAKAJIMA, Seiichi. Introduction to TPM. Productivity Press, 1988 (consulta parcial). XENOS, Harilaus G. Gerenciando a Manutenção Produtiva, 2004 (consulta parcial). GULATI, Ramesh. Maintenance and Reliability Best Practices. Industrial Press, 2009 (consulta parcial).
WIREMAN, Terry. Developing Performance Indicators for Managing Maintenance (consulta parcial). MUCHIRI, P. et al. Development of maintenance function performance measurement framework and indicators. International Journal of Production Economics, v. 131, n. 1, 2011 (consulta parcial: resumo). WIREMAN, Terry. Computerized Maintenance Management Systems, 1994 (consulta parcial: dados bibliográficos).
ISO 55000, 55001 e 55002 (consulta parcial: resumos). ISO 41001:2018 (consulta parcial). HASTINGS, Nicholas A. J. Physical Asset Management (consulta parcial). CAMPBELL, J. D.; JARDINE, A. K. S.; McGLYNN, J. (ed.). Asset Management Excellence. 2ª ed., CRC Press, 2011 (consulta parcial).
ANVISA. Resolução RDC nº 216/2004 (texto do anexo lido em cópia). BRASIL. Lei nº 13.589/2018 (lida). CVS-SP. Portaria CVS 5/2013 (consulta parcial; vigência a confirmar). ABNT. NBR 5674 (consulta parcial: catálogo). ABNT. NBR 5462 (consulta parcial). CEN. EN 13306:2017 (consulta parcial).
STIPANUK, David M. Hospitality Facilities Management and Design. 4ª ed., 2015 (consulta parcial). THOMAS, Chris; NORMAN, Edwin J.; KATSIGRIS, Costas. Design and Equipment for Restaurants and Foodservice. 4ª ed., Wiley, 2014 (consulta parcial). CANALLES, Cauê Carvalho. TCC de Engenharia Civil, IFSC Florianópolis, 2023 (resumo lido no repositório). WOOD, Brian. Building Maintenance. Wiley-Blackwell, 2009 (só catálogo).
Perguntas frequentes
- Que livros posso ler para aprender gestão de manutenção de edifícios?
- Para quem tem operação pequena, começar por Maintenance Strategy, de Anthony Kelly, e pelo manual de planejamento de Richard Palmer faz sentido, junto de uma visão de hotelaria como a de Stipanuk. A literatura é industrial e nenhum dos livros de gestão de manutenção foi lido na íntegra para este guia; confira cada título antes de comprar.
- Existe livro de manutenção específico para restaurante ou pousada?
- Há pouco. Nas buscas feitas apareceram livros de hotelaria e de equipamentos de cozinha que tocam o tema, mas nenhuma cartilha específica de Senac ou Sebrae. Isso não prova que não exista, e vale buscar em bases acadêmicas e na sua entidade setorial.
- Preciso ler normas para organizar a manutenção da minha casa?
- Para uma cozinha, a RDC 216 é a primeira leitura. Para ar-condicionado e edificação, a Lei 13.589 e a NBR 5674 são pontos de partida. Para obrigação legal e laudos, consulte engenheiro, advogado ou a vigilância sanitária local.